Uma verdade conhecida na comunicação: storytelling vende.
Munidas dessa verdade, muita gente resolve investir nela antes mesmo de ter história (de vida). O que tem autobiografia de Youtuber de 20 anos é incrível.
Essa semana a história da mineira Laysa Peixoto, de 22 anos, tomou conta das notícias. Ela se apresentava como mestranda na Universidade de Columbia, e que havia sido selecionada como astronauta para participar de missões tripuladas que poderiam ir à Lua e a Marte(!).
A viagem de Laysa (a figurativa, não a real) não durou muito. A Nasa não a conhece, a iniciativa Titans Space não tem autorização para voos tripulados pra lugar nenhum, e nem mesmo a Universidade citada tem nenhum registro dela como aluna. E até na UFMG parece que ela não vai faz tempo.
A lorota durou pouco, mas foi o suficiente para a moça ganhar destaque na imprensa, sair na Forbes e ter reconhecimento nas redes sociais.
A situação é reprise de outras tantas do passado, que vão no brasileiro Marcelo Nascimento, que fingia ser piloto e enganou um punhado de gente por aí, até Elisabeth Holmes, criadora da Theranos, que conseguiu bilhões em investimento vendendo uma tecnologia revolucionária que simplesmente não existia.
Holmes levava tão a sério sua mentira que chegou a mudar o tom de sua voz, sua postura, para replicar as de Steve Jobs.
Não funcionou. Em ambos os casos, o final da história foi cadeia mesmo. Ainda vale a máxima atribuída a Abraham Lincoln “Você pode enganar algumas pessoas o tempo todo, ou todas as pessoas durante algum tempo, mas você não pode enganar todas as pessoas o tempo todo”.
Poucas pessoas vão a extremos tão grandes quanto os citados aqui. Mas não é nada incomum esbarrar com marcas que dão um sambarilove nas próprias histórias, em práticas que vão do floreamento freestyle das próprias biografias (e de seus donos) à mentira pura e simples.
Repetindo o que eu disse no inicio, é verdade: sim, storytelling vende. Mas diferentemente do que muitos pensam, ele não está ligado a grandes feitos, momentos célebres, descobertas únicas.
Storytelling é uma forma de organizar as informações sobre seu negócio de uma forma que engaja. A gente cresceu se relacionando com histórias. Nossos pais liam para nós antes de dormir (bons tempos). Rara é a pessoa que não tem uma conta em um streaming. Estamos constantemente atrás delas.
Isso não quer dizer que você precise ter escalado a face norte do K2 para ser dono de uma loja de esportes. Não precisa ter apertado a mão do Oswaldo Cruz para ter uma farmácia. Seu avô não precisa ter feito sorvetes de gelo em meio à grande guerra (olá Diletto) para vender picolé.
Todo mundo tem uma história para contar. Toda marca tem uma razão de existir. O talento é saber COMO contar essa história de forma que seu público sinta-se parte dela, e preste atenção na mensagem que você quer comunicar.
E se não tiver, não tem problema. Mas por favor, não invente uma.



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